
Certo dia, voltando da faculdade, entro no ônibus e, como de costume, olho as pessoas que estão sentadas nele, mas não encontro ninguém conhecido. Coloco, sobre meu colo, minha mochila carregando meu material de trabalho e o caderno da faculdade e o ônibus sai com alguns lugares vazios.
Ao chegar na entrada da Rua da Conceição, sobe um passageiro sorridente, feliz, olhando para todos com um olhar simpático. Confesso que fiquei feliz de ver um homem feliz naquela hora da noite, mas infelizmente eu estava muito cansado para retribuir-lhe com um “boa noite”, já que eu quase dormia no banco. O rapaz sentou-se ao lado de uma bela jovem.
Ao chegar mais à frente, em outra parada, sobe um casal de amigos mais um acompanhante, todos jovens, e sentam-se no último banco.
O ônibus era da versão micro com ar-condicionado. Bancos na direita e na esquerda do interior do veículo com uma seqüência contínua de bancos, de ponta a ponta, na última fileira.
Sentados, os jovens começaram a conversar. O rapaz que outrora entrara no ônibus sorridente, se levanta e vai até os jovens interessado em novas amizades. Ambos conversavam em tom de voz normal e todos do ônibus podiam ouvir sua conversa, já que eles eram os únicos a conversarem.
O ‘rapaz sorridente’ apresentava uma certa dificuldade fonológica, ou seja, falava com dificuldade, e isso o tornava um pouco insuportável aos jovens amigos. Perto de pessoas compreensivas, esse rapaz amistoso seria uma ótima companhia, um verdadeiro amigo, pessoa com quem você pode começar uma boa relação.
Infelizmente valores como a tolerância e o respeito estão abandonados pela maioria dos jovens que só se preocupam consigo mesmos e com as “baladas da hora”.
Os jovens não souberam aproveitar a amizade desse rapaz e um deles, lamentavelmente, falou pra esse rapaz palavras depreciativas e excludentes. Sua intenção era chamar a atenção da moça que o acompanhava, que ria com suas piadas infames.
A simpatia do ‘rapaz sorridente’ era tão grande, que, ao descer do ônibus, ele ainda acenou se despedindo dos jovens que o desprezaram no ônibus. Uma cena comovente e que mostra o caráter da nova geração se não fizermos alguma coisa.
Professores, pais, educadores, amigos... Nossas atitudes influenciam nossos ouvintes. Precisamos ser éticos, honestos, amigos, os mais corretos possíveis, mesmo que o mundo não mereça, mas por amor ao próximo e aos nossos descendentes.
Sentimentos tão puros, como o da amizade e o do amor, não podem ser maltratados, nem muito menos massacrados pela ignorância e intolerância.
A Bíblia nunca esteve tão certa quando pediu: “Amai o próximo como a ti mesmo e a Deus acima de todas as coisas.”
Por Márcio Raphael
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