24 de março de 2006

Males do Orkut - por Dra. Patricia Peck



Quem é responsável por comunidades criminosas? Patrícia Peck responde.
A internet não é simplesmente uma rede de computadores, é sim uma rede de pessoas, e como tal, está sujeita às leis vigentes nos países nos quais as pessoas se encontram.

Como toda e qualquer tecnologia, pode ser usada para o bem, ou para o mal. Assim como a gama de produtos, serviços e conteúdos que oferece, podem ser lícitos, ou ilícitos. Às vezes, a forma de uso é que está inadequada e não a tecnologia em si.

A questão da ética e da legalidade, no uso das tecnologias é antiga no Direito. Atualmente, vivemos sob a égide das três grandes leis de TI, que são a “Lei de Moore”, sobre o poder do processamento, a “Lei de Metcalfe”, sobre estar em rede, e a “Lei de Maxwell” que explica a revolução do wireless e da mobilidade. O que significa isso? Que somadas, estas leis impactaram completamente nossas vidas e mudaram nossos comportamentos.

E como ficam então as Leis do Direito Digital, responsáveis por reger as condutas dos indivíduos, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dentro deste cenário globalizado e em tempo real? De todas as transformações, a que gera maior conseqüência é estar em rede, que somado ao poder de processamento e a mobilidade, traz o efeito do “tempo real”, aonde a conduta de uma única pessoa pode afetar várias, em qualquer lugar do mundo.

Hoje, enfrentamos a polêmica questão trazida pelo crescimento das Comunidades Online, do tipo do Orkut. É sabido que não pode uma empresa colocar um serviço, mesmo que gratuito, disponível para usuários, e assim, infringir diversas leis, desde a Constituição Federal de 1988, que veda o anonimato, até o Código Penal no tocante aos crimes que têm sido praticados nestes ambientes.

No entanto, temos a falsa impressão de “terra de ninguém” passada pela rede, basta dar uma navegada, e após alguns cliques, pergunta-se: quem é o responsável pelos atos ilícitos cometidos através do uso desta comunidade? Até aonde vai responsabilidade do usuário e do próprio Orkut?

Ocorre que no caso do Orkut há uma série de envolvidos, bem como também de níveis de responsabilidade legal. Devemos distinguir primeiramente a responsabilidade em civil e/ou criminal e depois de acordo com quem a mesma se relaciona em termos de nexo causal, ou seja, se é o “Dono da Comunidade”, o “Participante”, a empresa prestadora do serviço “Orkut”, entre outros.

Na responsabilidade civil, o foco fundamental é o ressarcimento do dano causado, mesmo que isso seja imputado a quem não seja o legítimo causador do dano, mas que responda por quem o fez, e depois tenha então o direito de regresso contra o verdadeiro infrator.

Além disso, mesmo aquele que possui direito líquido e certo, se ultrapassar os limites da moral e dos bons costumes, também incorre em ato ilícito. É o que rezam os artigos 186 e 187 do Código Civil, junto com o de responsabilidade objetiva prevista pelo artigo 927.

Estas normas estão válidas, vigentes e se aplicam sim ao Orkut. Em que pese a alegação de que seus servidores estão em outro país, isso não o exime de responsabilidade frente as Leis Brasileiras.

Infelizmente, seu ambiente favorece os infratores. No âmbito civil as violações aos direitos da personalidade são as mais comuns, incluindo a Constituição Federal, especialmente o artigo 5º. Inciso X, que protege o direito a imagem, a honra e reputação das pessoas, bem como do Código Civil, no que tange regras contratuais de confidencialidade e sigilo, entre outras.

Já no Código Penal, a maior ocorrência são os crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação), além dos crimes contra direito autoral, uso não autorizado de marca e até concorrência desleal. Qual à responsabilidade do Orkut diante dessas infrações?

Em princípio, não há como o Orkut poder saber tudo o que está sendo feito em seus ambientes, mas ele tem sim o ônus de poder prestar informações de quem está nestas comunidades, e de retirar as mesmas do ar, imediatamente, no caso de denúncia de pratica delituosa ou conteúdo ilícito, quer seja por parte da vítima ou das autoridades, especialmente no caso de ordem judicial, já que muitas vezes não se consegue saber quem é o infrator, até mesmo para mover uma ação diretamente contra ele. Tanto é que assim tem entendido a justiça brasileira, em diversos casos.

Esta situação é agravada pois ficou comum na internet brasileira o uso de identidade falsa, o que já é um crime no Direito Brasileiro. Além disso, o provedor do serviço acaba por favorecer o anonimato, especialmente quando o mesmo é ofertado de modo gratuito, não exigindo dados de identidade e nem conferindo os mesmos, o que infringe a Constituição Federal de 1988.

Apesar de válida a afirmação de que o provedor de serviço de hospedagem não tem como garantir o conteúdo que é colocado no ar, sendo assim desconhece a licitude ou não deste conteúdo, também é certo que ao ser notificado que este hospeda conteúdo ilegal e mesmo assim nenhuma ação é tomada, responde solidariamente com o proprietário do conteúdo.

Esta situação aplica-se na imputação da responsabilidade civil referente ao Orkut, ou seja, criada uma comunidade “Fulano é ladrão” e, caso este (Fulano) notifique o Orkut requerendo a retirada do ar desta comunidade e esta solicitação não for atendida, cria-se a solidariedade entre o criador desta comunidade e o Orkut.

Há sim a responsabilidade do Dono da Comunidade e do Participante da mesma também. Que irão responder de acordo com seu envolvimento, em casos de ação, ou até mesmo de omissão, conforme reza o Direito Brasileiro.

Por isso, cabe ao usuário verificar com cautela o teor dos conteúdos das comunidades em que está participando, para não ser envolvido e responsabilizado por algum dano civil ou infração criminal.

Atualmente já há uma série de condutas digitalmente incorretas. As penas vão de mera multa, detenção e até 12 anos de reclusão, com possibilidade de se aplicar agravante de pena, uma vez que a Internet é um ambiente de comunicação social, além de demissão por justa causa, indenização, etc.

O exercício dos direitos e das liberdades depende de que tenhamos clareza sobre os limites de uso da própria tecnologia. Vale a máxima “diga-me com quem tu teclas que te direi quem és”.

Dra. Patricia Peck é advogada especialista em Direito Digital e autora do livro “Direito Digital” pela editora Saraiva.

Publicada em 23 de março de 2006 às 19h45
Atualizada em 23 de março de 2006 às 20h03
Fonte: IDGNOW!

15 de março de 2006

Depressão



O homem vive se deparando com momentos que o fazem refletir profundamente sobre sua existência. Viver é muito mais que estar presente na Terra, ter um sentido para estar aqui é fundamental.

O homem tem uma certa facilidade pra ficar triste, seja qual for o motivo, ficar triste é mais fácil que ficar feliz, há exceções! Uma vez que o homem vive, está sujeito ao desejo de ser agradado ou não.

Quando o homem ocupa seu tempo com coisas construtivas como trabalho (voluntário ou não), estudo, amor, etc, ele está mantendo sua mente ocupada e não se preocupará muito com tristezas fortes porque suas ocupações o farão esquecer seus problemas.

Mas quando a pessoa não tem ocupação para isso, os seus problemas são mais fortes, porque sua preocupação para com eles será maior, devido à ausência de outros assuntos que poderiam estar ocupando sua mente.

Muitas pessoas não encontram motivos para ser feliz, esperam encontrar felicidades em grandes momentos da vida, que podem, ou não, chegar. A depressão provoca a depressão. Quanto mais triste está uma pessoa, mais ela pensa na tristeza e mais triste ela vai ficar, em outras palavras, “nadando para o fundo do mar”.

A depressão não seria um grande problema se uma grande parte dos seres humanos soubessem achar a felicidade nas coisas simples da vida: olhar para a janela e sentir a brisa tocando no seu rosto; acordar e ver que há, no seu pulmão, fôlego para respirar; estar andando pela rua e receber um bom sorriso por ter dado um “bom dia” inesperado; ver na criança um sorriso de felicidade ao brincar livremente com seus amigos, “livres” das responsabilidades dos adultos; poder caminhar na areia do mar e senti-la entre os dedos a cada passo pisado; entre outros.

Um homem que busca sua felicidade nas coisas simples da vida terá mais momentos para se alegrar! E essas atitudes começam por mim, que fico contente só de pensar no número de pessoas que estarão mais leves depois que lerem esse texto. Depressão é só um estado de espírito.
Por Márcio Raphael

12 de março de 2006

Música retratando a vida


Cotidiano de Um Casal Feliz

Jay Vaquer

Composição: Jay Vaquer

Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural

Ele manda em tudo, em todos
curte seu poder
E deixa a esposa em casa
pra brincar no treco
de qualquer traveco
em troca de prazer
vai saber porque...ieiê
E a esposa anda malhada
fez lipoescultura
e a falta de cultura
nunca foi problema
ela tem dinheiro
pra dar e vender
lê Paulo Coelho e seicho-no-ie
vai saber porque...iê

E eles têm escravos
disfarçados de assalariados
diariamente humilhados
e levantam cedo, se arrumam apressados
têm hora marcada pra falar com Deus

Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural

Ele guarda na HD
fotos de crianças nuas, pra tirar um lazer
Curte ver aquilo quando fica só
Ela conta os passos que dá no trajeto
entre a terapia e a boca do pó

E até pensa em adotar alguma criatura,
pode ser uma criança ou um labrador
Só depende da raça, depende é da cor
que pintar primeiro..
Ele faz como ninguém a cara de quem não sabe mentir
pode admitir, pra ocupar o vazio da relação
mas com uma condição:
não quer dar banho,
nem limpar merda o dia inteiro

Eles foram ver o show da Diana Krall
que alguém falou que era genial
gritaram "uhuu" do camarote
enchendo a cara de Scotch

E eles têm escravos
disfarçados de assalariados
diariamente humilhados
e levantam cedo, se arrumam apressados
têm hora marcada pra falar com Deeeeuss!ououôô

Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural

10 de março de 2006

Amar o próximo


Certo dia, voltando da faculdade, entro no ônibus e, como de costume, olho as pessoas que estão sentadas nele, mas não encontro ninguém conhecido. Coloco, sobre meu colo, minha mochila carregando meu material de trabalho e o caderno da faculdade e o ônibus sai com alguns lugares vazios.

Ao chegar na entrada da Rua da Conceição, sobe um passageiro sorridente, feliz, olhando para todos com um olhar simpático. Confesso que fiquei feliz de ver um homem feliz naquela hora da noite, mas infelizmente eu estava muito cansado para retribuir-lhe com um “boa noite”, já que eu quase dormia no banco. O rapaz sentou-se ao lado de uma bela jovem.

Ao chegar mais à frente, em outra parada, sobe um casal de amigos mais um acompanhante, todos jovens, e sentam-se no último banco.

O ônibus era da versão micro com ar-condicionado. Bancos na direita e na esquerda do interior do veículo com uma seqüência contínua de bancos, de ponta a ponta, na última fileira.

Sentados, os jovens começaram a conversar. O rapaz que outrora entrara no ônibus sorridente, se levanta e vai até os jovens interessado em novas amizades. Ambos conversavam em tom de voz normal e todos do ônibus podiam ouvir sua conversa, já que eles eram os únicos a conversarem.

O ‘rapaz sorridente’ apresentava uma certa dificuldade fonológica, ou seja, falava com dificuldade, e isso o tornava um pouco insuportável aos jovens amigos. Perto de pessoas compreensivas, esse rapaz amistoso seria uma ótima companhia, um verdadeiro amigo, pessoa com quem você pode começar uma boa relação.

Infelizmente valores como a tolerância e o respeito estão abandonados pela maioria dos jovens que só se preocupam consigo mesmos e com as “baladas da hora”.

Os jovens não souberam aproveitar a amizade desse rapaz e um deles, lamentavelmente, falou pra esse rapaz palavras depreciativas e excludentes. Sua intenção era chamar a atenção da moça que o acompanhava, que ria com suas piadas infames.

A simpatia do ‘rapaz sorridente’ era tão grande, que, ao descer do ônibus, ele ainda acenou se despedindo dos jovens que o desprezaram no ônibus. Uma cena comovente e que mostra o caráter da nova geração se não fizermos alguma coisa.

Professores, pais, educadores, amigos... Nossas atitudes influenciam nossos ouvintes. Precisamos ser éticos, honestos, amigos, os mais corretos possíveis, mesmo que o mundo não mereça, mas por amor ao próximo e aos nossos descendentes.

Sentimentos tão puros, como o da amizade e o do amor, não podem ser maltratados, nem muito menos massacrados pela ignorância e intolerância.

A Bíblia nunca esteve tão certa quando pediu: “Amai o próximo como a ti mesmo e a Deus acima de todas as coisas.”
Por Márcio Raphael

9 de março de 2006

Carta a um professor


Prezado Professor/a,

Eu sou um sobrevivente de um campo de concentração.
Meus olhos viram o que nenhum homem deveria presenciar:
Câmaras de gás contruídas por engenheiros instruídos;
Crianças envenenadas por médicos profissionais;
Crianças mortas por enfermeiros profissionais;
Mulheres e crianças mortas com tiros e queimados por graduados nas altas escolas maiores e universidades.
Assim é porque eu suspeito da educação.
A minha petição é: ajuda a teus alunos para que cheguem a ser humanos.
Teus esforços nunca devem produzir montros, espertos psicopatas, futuros Eichmans.
Ler, escrever, calcular... são importantes só se servem para fazer os nossos filhos mais humanos.


PEACE-BUILDING. The review on the Peace Education Comission, International Peace Research Association (1996) N.3

8 de março de 2006

Beleza

Aprendamos com a natureza o verdadeiro significado de beleza, valorizando cada detalhe de nossa raça, cada entalhe desenhado pela natureza em nossa pele e em nossas emoções.

A preocupação com a opinião alheia sobe a cabeça dos mais vaidosos que se preocupam, cada vez mais, em chamar atenção. Chamar de atenção de quem? Pra que? As respostas a essas e outras perguntas, relacionadas a este assunto, apontam para diversas direções e chamam um estudo mais aprofundado na área da psicologia.
Uma vez, crianças, aprendemos que para ser aceito em um grupo de amigos precisávamos nos adequar a uma série de regras. Da juventude para a fase adulta o ser humano descobre-se o suficiente para liberta-se, ou não, das amarras psicológicas que o prendem à necessidade de pensar no outro antes de si mesmo. Essas amarras podem causar problemas mais sérios no futuro, se ainda as tem, livre-se delas.
O mundo moderno desenvolveu, com novas técnicas, a continuação da ‘beleza a todo custo’ criada em meados da década de 60. Cada vez mais pessoas preocupam-se em ter sua beleza exterior destacada a fim de conquistar o par ideal, ganhar dinheiro com sua aparência num mercado que glorifica a imagem e a beleza, poder se encher de orgulho ao olhar na frente do espelho ou pelo simples prazer de “estar à frente da concorrência”!
Um milênio novo começou e a sexualidade nunca foi tão explorada no mercado da imagem. Mulheres e homens que posam nus em nome da arte, e, cá entre nós, com ou sem Photoshop sempre alcançam seu objetivo. Propagandas de cerveja são campeãs no uso dessas novas “tecnologias” e com o apoio da mídia vão longe!
E o coração? Vai bem?
A educação do homem é influenciada diretamente pela televisão, internet e jogos refletindo na sua formação moral. A escola ainda luta contra a mídia no ensino dos valores de um ser humano, mas a educação desenducativa imposta pelas mídias tem mais força dentro da maioria dos lares terráqueos.
De vez em quando é bom olhar pra dentro de nós mesmos e enxergar a beleza que há em nós. Viemos ao mundo como somos, ele é que tem se moldar à nossa vontade. A primeira pessoa que deve ser amada, depois dos nossos pais e dos nossos irmãos, somos nós mesmos.
Crescer nosso interior está acima do crescimento do nosso exterior. É necessário manter um equilíbrio entre o nosso exterior e o nosso interior para que possamos viver em harmonia conosco e com o meio em que vivemos.

Você já parou pra pensar no por que da borboleta voa tão feliz, ou no por que de um beija-flor ser tão sedutor ao voar flexivelmente? Porque eles se amam! Vivem para si antes de viver para os outros. Aprendamos com a natureza, de onde nós pertencemos, o que é viver! O que é realmente belo ou não!
Beleza é fundamental! Saber olhar a beleza, onde quer que ela esteja, é viver!

Por Márcio Raphael

5 de março de 2006

A Internet não é ringue


Você já discutiu relação por e-mail? Não discuta. O correio eletrônico é uma arma de destruição de massa (cerebral) em caso de conflito. Quer discutir? Quer quebrar o pau, dizer tudo o que sente, mandar ver, detonar a outra parte? Faça isso a sós, em ambiente fechado. Pessoalmente a coisa pode pegar fogo, até sair agressão verbal e mesmo física. Mas a chance maior é que vocês terminem praticando o melhor sexo do mundo e trocando juras de amor eterno.

Brigar por e-mail é muito perigoso. Existe pelo menos um par de boas razões para isso. A primeira é que você não está na frente da pessoa. Ela não é “humana” a distância, ela é a soma de todos os defeitos. A segunda razão é que você mesmo também perde a dimensão de sua própria humanidade. Pelo e-mail as emoções ficam no freezer e a cabeça no microondas. Ao vivo, um olhar ou um sorriso fazem toda a diferença. No e-mail todo mundo localiza “risos”, mas ninguém descreve “choro”.

Eu sei disso, porque cometi esse erro. Várias vezes. Nunca mais cometerei, espero. Principalmente quando você ama de verdade a pessoa do outro lado. Um tiroteio de mensagens escritas tende à catástrofe. Quando você fala na cara, as palavras ficam no ar e na memória, e uma hora acabam sumindo de ambos. “Eu não me lembro de ter dito isso” é um bom argumento para esfriar as tensões. Palavras escritas ficam. Podem ser relidas muitas vezes.

Ao vivo, você agüenta berros te mandando ir para e/ou tomar em algum lugar. Responde no mesmo tom rasteiro. E segue em frente. Por e-mail, cada frase ofensiva tende a ser encarada como um desafio para que outra parte escolha a arma mais poderosa destinada ao ponto mais fraco do “adversário”. Essa resposta letal gera uma contra-resposta capaz de abalar os alicerces do edifício, o que exigirá uma contra-contra-resposta surpreendente e devastadora. Assim funciona o ser humano, seja com mensagens, seja com bombas nucleares.

Ao vivo, um pode sentir a fraqueza do outro e eventualmente ter o nobre gesto de procurar poupar aquelas trilhas de sofrimento e rancor. Ao vivo, o coração comanda. Por e-mail é o cérebro que dá as cartas. E só Deus sabe o quanto podemos ser inconseqüentes e cruéis quando entregamos o poder ao nosso segundo órgão preferido, segunda a sábia definição de Woody Allen.

E tem o fator fermentação. Você recebe um e-mail hostil. Passa horas intermináveis imaginando qual será a terrível, destrutiva resposta que vai dar. Seu cérebro ferve com os verbos contundentes e adjetivos cruéis que serão usados no reply. Aí você escreve, e reescreve, e reescreve de novo, e a cada nova versão seu texto está mais colérico, e horas se passam de refinamento bélico do texto até que você decida apertar o botão do Juízo Final, no caso o Enviar. Começam então as dolorosas horas de espera pela resposta à sua artilharia pesada. É uma angústia saber que você agora é o alvo, imaginar que armas serão usadas. E dependendo do estado de deterioração das relações, você poderá enlouquecer a ponto de imaginar a resposta que vai dar à mensagem que ainda nem chegou.

É por isso que eu aconselho, especialmente aos mais jovens: se for para mandar mensagens de amizade, se é para elogiar, se é para declarar amor, use e abuse dos meios digitais. E-mail, messenger, chat, scraps, o que aparecer. Mas se for para brigar, brigue pessoalmente. A não ser, claro, que você queira que o rompimento seja definitivo. Aí é só abrir uma nova mensagem e deixar o veneno seguir o cursor.


Por Dagomir Marquezi
revista info exame, jan 2006

2 de março de 2006

... a praia ...


A noite estava fria, deserta e mansa. As ondas do mar batiam serenas, transmitindo tranqüilidade e conforto, enfim, a noite estava agradável. Quase. O vento soprava com pouca força, mas trazia com ele uma fina chuva que gelava o corpo, deixando meus pensamentos e movimentos dolorosos. Mesmo assim, eu caminhava pela areia, com o pensamento distante.

A praia, desde pequeno, foi meu lugar de reflexão e desabafo com a natureza. Ela é testemunha de muitas coisas boas e ruins que aconteceram na minha vida. Naquele momento, o que menos importava era a situação política mundial, a fome no mundo, soluções para a violência ou o trabalho, mas sim, meu interior, eu. Eu e Deus. E ali era o melhor lugar pra eu fazer isso, afinal, estava longe de tudo e de todos. Estava no meu “pequeno paraíso”.

As horas passavam e eu nem notara isso acontecer, eu estava longe. Meu corpo ali se fazia presente, mas minha mente viajava por lugares aonde meu corpo jamais iria.
Eu continuava a caminhar e meus passos marcavam a areia com pegadas fundas, pegadas estas que seriam apagadas pela água do mar depois de uma forte onda “socar” a areia como se descontasse sua raiva sobre a terra.

O caminhar na areia parece inútil, afinal, as pegadas que deixei, que provariam minha passagem por ali, foram apagadas pelas águas. Mas isso não me desanima, porquê os maiores tesouros que estou ganhando são as experiências, as idéias, os pensamentos, os desejos e sonhos que transitam na minha mente tornando-a mais forte. Afinal, qual a necessidade de provar minha passagem pela praia para os outros se o único interessado nela sou eu? Pode vir a onda apagar minhas pegadas e lavar o passado da areia, mas ela não vai apagar o que há de mais precioso no ser humano: sua essência, sua experiência; sua vida.

Meu caminhar pela praia estava chegando ao seu clímax quando, de repente, minha esposa, com quem sou casado há mais de vinte anos, me grita chorando:

_ Querido, corre aqui! O Paulinho está passando mal! Muito mal! Temos que procurar um médico e rápido!

Entrei no carro, que estava parado na beira da praia com minha esposa e filho dentro, e fomos direto pro hospital.

Hoje estou, mais uma vez na praia, caminhando... Ganhando mais um pouco de experiência e força. Pensando, refletindo. Fazendo valer a pena meu dia de sábado. Tentando curar um coração amargo, ferido..., vazio com a perda do único filho que meu amor me deu. Eu o verei de novo..., mas não agora. Não agora.

Mais uma vez estou na praia, mais uma vez caminhando, pensando, refletindo..., curando-me; aprendendo.

Autor: Márcio Raphael

1 de março de 2006

União familiar


Felizmente antigos valores estão tomando lugar
na sociedade contemporânea, devolvendo aos
jovens a segurança de um lar unido.

Infelizmente a união matrimonial, a instituição famíliar,
começou a assustar algumas pessoas com suas ligações
judiciais e com a degradação de diversos valores éticos
mantidos, em várias vezes, hipócritamente pela igreja.

Os valores familiares foram deixados para trás dando lugar a uma
ideologia voltada para a liberdade. Alguns chamam isso de renovação
da estrutura familiar.
Realmente essa estrutura mudou: a sociedade abriu os olhos
para as uniões homossexuais e quebrou um tabu criado
pela igreja durante séculos.

Mesmo com a diversificação de uniões de casais presente
hoje em dia, a preocupação com a criação e a educação
dos filhos continua sendo um grande desafio para as
diversas gerações de casais, homossexuais ou não.

As drogas, a violência e outros males como doenças e acidentes
são alguns dos pesadelos que assombram diariamente pais e filhos.
E a base mais sólida para prevenir que a educação da
família seja satisfatória é a união familiar.

A confiança de uma família, a segurança do pais,
o ombro amigo dos irmãos são alguns exemplos de que a família
são os melhores psicólogos de uma pessoa.

Aos poucos a sociedade está acordando, e vendo que os valores
divulgados pelas mídias e ovacionados pelos liberais nem sempre
são o que eles realmente dizer ser.

Oxalá a nova geração olhar a família como sua melhor amiga,
sempre!

Autor: Márcio Raphael